ONDE NÃO APARECE O “POVO” NO PROJETO DA NAÇÃO

 

Lizir Arcanjo Alves - UCSal

 

 

O título desta comunicação foi dado em lembrança ao ensaio de Manuel Cavalcanti Proença intitulado “Onde aparece o índio”, de 1958, escrito a propósito de analisar as razões do indianismo em José de Alencar, partindo do conhecido esquema da repulsa do português, da exclusão do negro e da eleição do índio como antepassado legítimo da nação que se formava. Esse critério baseado na questão das raças, associado a uma visão da sociedade brasileira dos meados do século XIX composta exclusivamente de duas classes – a de senhores e a de escravos – , ao mesmo tempo em que norteou diversos estudos literários impediu que outro olhar se estendesse e aprofundasse sobre a camada intermediária dessa população não apenas restrita à corte, mas também às demais províncias brasileiras, investigando sua existência, seus problemas, sua representação numa literatura até hoje marginal e desconhecida.

A essa camada deu-se o nome de “povo”, denominação ainda hoje discutível. Preferíamos dizer, parodiando Mário de Andrade, que “povo” era tudo que se dizia que era “povo”, palavra esta bastante explorada pela imprensa liberal desde a divulgação no Brasil de Paroles d’un croyant (1834) e Le livre du peuple (1837), de Lamennais[1], padre liberal francês, que na impossibilidade de socializar a Igreja Católica com ela rompeu e transformou-se ele próprio num religioso socialista condenado, repudiado pelos seus pares, mas seguido e admirado pela geração revolucionária de 1848. Lamennais aconselhava às classes pobres a se unirem, a estreitarem os corações. O amor e a união seriam as fórmulas viáveis para o proletariado, a quem advertia dizendo que Deus havia dito: “Amai-vos!” e o homem pareceu ouvir: “Matai-vos!”

Em 1847, Antônio Pedro de Figueiredo resumiu, no Recife, O Livro do Povo, de Lamennais, para a revista O Progresso, que dirigia, cujas idéias básicas consistiam em que era o povo quem sustentava a sociedade “pelo seu trabalho”, quem a defendia, derramando o seu sangue, e para quem tudo produzia, tendo em paga somente “a escravidão e a miséria”. Segundo o autor, “a sorte deplorável do povo” só melhoraria “quando ele procurando reaver os seus direitos”, não atacando os de outrem, destruísse a injustiça. O povo só poderia tornar-se forte se “unido pela justiça e pela caridade”. “Respeitar é a justiça; ajudar é a caridade”, afirmava. Direito à vida e à liberdade era o lema, em vez da miséria em que o povo vivia, “privado do seu direito e da sua liberdade, sujeito a leis de monopólio e de privilégios, que ele não fizera nem autorizara”.

A crítica ao poder opressor, a defesa do princípio da soberania do povo, a alegação de “ilegitimidade de qualquer soberania hereditária” eram idéias que o redator do Progresso fazia questão de bem frisar, às quais acrescia um trecho dos mais citados de Lamennais, o que tratava da sobrevivência do homem em comparação com os animais. De acordo com o resumo de Figueiredo, o padre socialista dizia que:

 

Todos os animais têm sobre a terra o que lhes é necessário, e só o homem é nu e pobre, (nudus et pauper) porque um pequeno número se apropriou de tudo. Herança, privilégio, nobreza, realeza, qualquer soberania se subtrair à soberania popular é um atentado contra os direitos da sociedade; o povo não cria privilégios, delega o seu poder, e retira-o quando lhe apraz. É este o seu direito; o direito do homem social.[2]

 

Em 1858, dez anos depois da Revolução Praieira, já superada a fase da Conciliação política do Marquês de Paraná, capítulos d’O livro do povo aparecem traduzidos integralmente no periódico O vapor dos traficantes, sem qualquer referência ao autor, numa dupla evidência de que o texto continuava atual e o nome do Lamennais um tabu, sobretudo depois dele ter-se negado a receber os sacramentos da igreja antes de falecer, em 1854.[3]

Durante a década de 1840, a renovação filosófico-social que modificara o panorama do pensamento europeu repercutira com muita intensidade no Brasil; além do pensamento de Lamennais havia o ecletismo filosófico de Victor Cousin, cuja obra foi traduzida, em Pernambuco, por Antônio Pedro de Figueiredo[4], e que tanto influenciou a juventude letrada da época, nele tendo se inspirado, inclusive, o poeta Junqueira Freire, e o socialismo utópico de Saint-Simon e de Fourier, teóricos que discutiam a importância da organização do trabalho e a organização da sociedade como imprescindíveis para a felicidade de uma nação. Diversos jornais como A Borboleta (1844) e O Globo (1844), no Rio de Janeiro, além da já citada revista O Progresso (1846-48), no Recife, divulgam essas idéias e alimentam debates com a imprensa religiosa, representada principalmente pela A Voz da Religião (1846), no Recife, O Musaico (1846-48), e O Noticiador Católico (1848-56) na Bahia. Da efervescência dos debates emerge a figura do “povo”, ainda bastante difusa e amorfa, mas que vai motivando obras, a princípio publicadas com pseudônimos, como A Cartilha do Povo (por Franklin, Recife: 1849) e O Socialismo (Recife:1855), ambas de José Inácio de Abreu e Lima, e O Libelo do Povo (por Timandro, Rio de Janeiro: 1849), de Francisco Sales Torres Homem. Esses homens que, opondo-se ao poder de D. Pedro II, pensavam encontrar alternativas para constituir a nação, investiram nas leituras e nos escritos sobre o “povo”, que, teoricamente, deveria constituir a base de um governo democrático.

O crescente interesse pelo “povo” vai-se ampliando com a criação de periódicos que se dizem voltados para seus interesses, tanto no Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco ou na Bahia, pelo menos é o que indicam os títulos: O Povo, O Brado do Povo, O Povo Baiano, Diário do Povo, Diário dos Pobres, O Grito do Povo, Gazeta do Povo, O Homem do Povo, O João Pobre, O Juiz do Povo, Periódico dos Pobres. Em alguns deles ou em outros cujos títulos não indicam tão explicitamente suas intenções, começam a aparecer artigos em que se tenta explicar o que era o “povo”. Para uns, o povo era quem suportava “o mais duro e insano trabalho, para com o fruto dele encher os cofres do rico...”[5], ou era quem sofria porque não tinha sequer oportunidade de trabalho, passando frio e fome, sem achar quem lhe desse uma esmola; eram também os soldados que haviam derramado seu sangue nos campos de batalha para dar independência ao país e viviam esquecidos em albergues ou como mendigos, atropelados na rua pelo carro do “audaz estrangeiro”[6].

Mais do que imaginação ou mera figura de retórica o “povo” era uma realidade para uma parcela dos políticos liberais, para o grupo letrado que não pertencia às camadas do poder ou para os jovens acadêmicos das faculdades de Direito e de Medicina. Seguindo a mesma tendência de Lamennais, poetas que defendiam idéias liberais passaram a dedicar sua lira ao “povo”, merecendo especial atenção os soldados recrutas, os veteranos das lutas da independência, a população livre mas desempregada e sem instrução. Há toda uma produção literária dispersa em periódicos ou mesmo em livros, mas que permanecem como a parte insignificante da obra de autores como Junqueira Freire ou de outros pouco conhecidos como Franklin Dória. Contemporâneos e amigos, ambos deixaram, embora com motivações diferentes, poemas dedicados ao povo que se tornaram precursores de outro baiano que também tratou do tema, reivindicando mais que o trabalho e a liberdade para o povo, o alimento do espírito - a educação - , e a conquista do poder, nos conhecidos poemas “O livro e a América” e “O povo ao poder”. Refiro-me a Castro Alves.

O direito ao trabalho, uma das insistências do discurso de Lamennais em defesa do povo, foi tratado por vários poetas e especialmente por Junqueira Freire, quando, em 1850, na Bahia, o trabalho de carregamento dos saveiros foi transferido dos escravos para a população livre. Essa foi uma conquista do povo que passou a constituir motivo de festa anual em Salvador a todo 1o de novembro. No poema “Meu saveiro”, Junqueira Freire expõe sua adesão ao povo:

 

Consagro aos cantos do povo

A lira que Deus me deu:

Instintos do povo eu tenho,

Eu tenho o sangue plebeu.

 

Eu sinto, eu sinto da pátria

Fervendo-me a inspiração.

Ouve, ó povo, os meus cantares,

Ouve: que eu sou teu irmão.

.........................................

“Este sangue que em nós corre

Corre pelo corpo teu”

Instintos do povo eu tenho

Eu tenho o sangue plebeu.

 

E uma lira me ofertaram

De aço puro e refulgente

Como um alfanje afiado

Dos guerreiros do crescente.

 

Disseram-me: “Canta o povo.”

“Canto, sim”, - disse-lhes eu.

Instintos do povo eu tenho

Eu tenho sangue plebeu.

 

Quase que repetindo textualmente expressões de Lamennais constantes de Le livre du peuple, outros poetas publicam anonimamente versos, como os seguintes, em jornais da Bahia, também na década de 1850:

 
O que é o Povo

 

Tremendo inanido de frio e de fome

Nas ruas olhai-o sem força a cair;

A esmola que pede recusam-lhe altivos

Os que da pobreza costumam sorrir.

 

Soldados de outr’ora nos campos da pátria

Das pátrias nas lides seu sangue verteu:

E logo as feridas abertas no prélio

A pátria ao soldado jamais conheceu.

.........................................................

 

Se busca empregar-se na trêfega lida

Que o nosso comércio reduz a valor,

Quem é que vivendo não morre caixeiro?

Quem é que de escravo caminha a senhor?

 

Em lauto banquete famintos convivas,

Laceram a pátria sem pena, sem dó!

O povo... estrebucha nos braços da fome!

O povo... o gigante baqueia no pó! [7]

 

 

O artista nacional

 

Por que choram meus filhinhos?

Que dor cruel os consome?

Ai! que me falta o trabalho

Para matar-lhes a fome!

Choremos, filhos, de novo!

É esta a sorte do Povo!

 

Meu braço é forte e robusto,

Meu coração altaneiro;

Quero empregar-me, e não posso,

Porque nasci brasileiro.

Choremos, filhos, de novo!

É esta a sorte do Povo!

........................................................

 

Do Brasil toda a riqueza

Está nas mãos do estrangeiro:

Eu vou pedir uma esmola,

Porque nasci brasileiro!...

Choremos, filhos, de novo!

É esta a sorte do Povo![8]

 

De Franklin Dória, bem nascido poeta baiano, são os seguintes versos constantes de “O povo”, feito quando estudava na Faculdade de Direito do Recife:

 

Ei-lo, mísero, sem tino,

Pelo mundo a se arrastar!

Inda é hoje seu destino

Sofrer, sofrer e chorar.

Ninguém lhe escuta os lamentos,

Nem lhe alivia os tormentos,

Nem o consola sequer:

Envolto em rota mortalha

Ai do povo que trabalha

Para à fome não morrer!

................................

..................................

E por que calar meu canto,

Do povo elevado em pró?

Que assunto haverá mais santo,

Que o povo saudar no pó?

..........................................

Bendito aquele que sabe

Ser p’ra o povo sempre bom,

E embora oprimido acabe,

Não cessa de erguer-lhe um som!

Bendito seja o poeta

Que sua missão completa

Na lira o povo a cantar;

Que seus foros defendendo,

Que por ele combatendo,

Não teme a morte afrontar!

 

No contexto da nação que o poder conservador pretendia “construir”, produção literária desse tipo passará a ser considerada subversiva, antipatriótica, comunista. Depois das barricadas de Paris, em fevereiro e junho de 1848, “povo” passa a significar uma palavra execrável, logo associada a republicanismo e a ateísmo. O medo era tanto que os mais sensatos aconselhavam os mais afoitos para que a evitassem. Franklin Dória, depois de ter escrito o poema “O povo”, recebeu do seu primo, na Bahia, Antônio Joaquim Rodrigues da Costa, estudante da Faculdade de Medicina, a seguinte advertência:

 

Sei que tens escrito muitas poesias, e entre elas falam-me muito em uma, que se intitula “O Povo” - ajuízo o que será!

Alguma inspiração espontânea e robusta como a de Béranger quando exclamava “Le peuple c’ est ma muse”! uma canção soberba, e eloqüente como essa inspirada Marselhesa que dos lábios revolucionários de Rouget de L’Isle rompera na sua febre de liberdade a ir levantar as massas na França; mas - que ainda mal! fora o canto de morte que o tinha de acompanhar ao patíbulo![9]

 

A carta é de março de 1856, o poema “O povo” seria publicado em 1857, na revista O Progresso, do Recife, com modificações, segundo o autor, aconselhadas pelo seu pai. Em 1859, seria incluído no livro Enlevos, com uma nota em que o autor confessa ter sofrido influência de Lamennais:

 

Quem não leu ainda o Livro do Povo, de La Mennais? Meio namorado do estilo e do tom dessa obra, tão verdadeira, e, portanto, tão eloqüente , - uma das primeiras que folheei, quando comecei a tomar gosto pelas letras, - escrevi os meus versos. Meu Pai, meu único mentor, desde meus verdes anos, até em matéria de poesia, ouvindo-mos, notou-lhes um certo desafogo, lícito sim, mas que não agradaria a alguns ouvidos demasiado melindrosos.[10]

 

Quando o poema apareceu em livro, o mesmo Rodrigues da Costa volta a referir-se a ele, numa crítica publicada em jornal, afirmando que representava a “democracia tomada como fonte de poesia”, o que dava a seu autor “direitos a uma auréola popular - também a mais expressiva de todas”.[11]

Além de Lamennais, cuja influência foi marcante no discurso da imprensa e na produção dos escritores liberais, na década de 1850, outro nome considerado ameaçador para o projeto nacionalista do governo monárquico de constituir um bem comportado público leitor foi o do folhetinista francês Eugène Sue, que obteve sucesso retumbante, no Brasil, assim como em diversos países europeus, com obras como O Judeu Errante, Os mistérios de Paris e Os mistérios do povo ou história de uma família de proletários através dos séculos. Socialista e também eleito deputado, em 1850, ao vencer o forte candidato conservador, Leclerc, passou a ser tomado como influência negativa para a formação da boa sociedade culta brasileira.

A crítica que então se fazia aos folhetins franceses cujos enredos tratavam de personagens tomados às gentes do povo, seus costumes (ou maus costumes), suas histórias, desacertos, etc., tinha como justificativa a defesa da felicidade da vida doméstica e da tranqüilidade da família, “o respeito aos laços sagrados da união conjugal, do amor paternal e filial”.

Como não havia como proibir a circulação dessas obras no país, a imprensa conservadora procurava desmoralizá-las perante os leitores. Foi o que se deu com Eugène Sue, a partir de maio de 1850, quando o Correio mercantil passou a publicar, em folhetim, Os mistérios do povo. O jornal do comércio e o Correio da tarde, ambos conservadores, condenaram a obra, dizendo tratar-se de “catecismo do comunismo”. O correio mercantil justificou-se junto ao público leitor, esclarecendo que antes de iniciar a publicação submetera os originais ao exame de um grupo de “amigos prudentes e de gosto literário”, tendo chegado à conclusão de que as críticas oriundas de jornal europeu partiam de “aristocratas encanizados” que se opunham ao caráter político e social da obra porque esta pintava ao vivo fatos históricos e certas figuras da época. E o folhetim continuou a ser publicado até 1852.

Coincidência ou não, é nesse mesmo jornal que, em 27 de junho de 1852, inicia-se, anonimamente, a publicação do romance Memórias de um sargento de milícias, na seção popularesca “A pacotilha”. Manuel Antônio de Almeida era um dos redatores da seção, cujo estilo era irreverente e escrachado, crítico, satírico e de feição liberal. Como também exercia a função de tradutor, no Correio mercantil, é possível que o autor também estivesse incluído naquele grupo seleto de “amigos prudentes” que decidira pela publicação dos Mistérios do povo. Não deixa de ser indicativo de que sofria influência de Eugène Sue o fato de ter declarado, na “Pacotilha” de 4 de julho, que se Deus lhe desse vida e paciência, iria escrever outro livro cujo plano já estava esboçado com o título de Os mistérios do Rio de Janeiro.

Por essa mesma época, no seio do Paço Imperial, o grupo literário que se abrigava à sombra do manto de D. Pedro II, e publicava a revista Guanabara, sugeria que a literatura exercesse uma espécie de governo, que em nome da unidade, combatesse “o mal geral”, e reagisse “para a elevação da arte” e “da literatura nacional.[12] Observando, sobretudo, o teatro que adaptava folhetins estrangeiros, aconselhava aos escritores e atores que desejassem alcançar as alturas da sua arte para que não procurassem “a popularidade da escala inferior da sociedade, porque essa facilmente se subjuga, e cede a legítima influência dos homens superiores; ele deve edificar, e ser uma peça da máquina aperfeiçoadora; deve procurar a sociedade dos sábios, dos literatos e dos fisiologistas”.[13]

Ao publico o grupo da revista Guanabara pedia que protestasse “contra todos os atos indecentes”, contra a “horda de poetas laudativos” e contra o empresário que sujasse um teatro com “dramas imorais”.

O esforço do grupo palaciano foi em vão porque sua revista acabou morrendo de inanição por falta de publico leitor. Em contrabalanço, no entanto, coube aos historiadores a vingança posterior, ao eliminar do cânone tudo que tivesse cheiro de povo. Até hoje poucos resgates foram efetivados, como é o caso de Manuel Antônio de Almeida. Outros, menos felizes, continuam no limbo.

Vejo, no entanto, vislumbrar alguma luz nesse campo, ao ler recentemente trabalho de Tânia Rebelo Costa Serra, no qual reconhece que


é a partir dos romances de Eugène Sue – o qual, a rigor, propõe uma utopia social – que surge uma conscientização do público: “a descoberta” de que há problemas graves na sociedade capitalista do século XIX que precisam ser solucionados, sobretudo as injustiças sociais. É Sue, muito naturalmente, o precursor de Zola e do Naturalismo, quem vai denunciar contundentemente esses cancros, inventando o romance social.[14]

 

Concordo com Tânia Serra e arrisco aqui a acrescentar que, talvez, nalguns autores do final do século XIX, seja possível identificar-se ainda uma filiação mais direta com o realismo romântico de Eugène Sue do que propriamente com os naturalistas, caso por exemplo de Xavier Marques e Anna Ribeiro de Góes Bittencourt, na Bahia.

Com este trabalho eu estou pretendendo sugerir a ampliação do resgate de obras dos meados do século XIX voltadas para os interesses do povo brasileiro e uma leitura comparativa entre as obras de autores como Junqueira Freire e Manuel Antônio de Almeida e as de Lamennais e Eugène Sue.

Na realidade, não foi o povo que não “apareceu” em obras dessa época. O que ocorreu foi a exclusão dessas obras da história e da crítica literária brasileiras.



[1] Felicité-Robert LAMMENAIS (França: 1782-1854), socialista utópico, tendo sido deputado à Assembléia nacional em 1848. Publicou obras que tiveram grande repercussão no Brasil: Essai su l’indifférence en matière de religion (1817), Paroles d’un croyant (1834) e Livre du people (1837).

[2] Revista literária. O progresso. Tomo II,n. 11, jun –jul., 1847, pp. 226.

[3] O livro do povo. O vapor dos traficantes (PE), 16 out. 1858, p.2.

[4] Victor COUSIN. Curso de História da Filosofia. Tradução de A. P. de Figueiredo. Recife: Tip. de M. F. de Faria, 1843, 1844, 1845. 3 vol.

[5] P. Leão VELOSO. “O povo”. Aurora, Recife, maio-ago., 1849, p. 74.

[6]Anônimo, “O que é o povo”. O brado do povo, Recife. 10 maio 1856, p. 4.

[7] O Povo da Bahia, transcr. em O Brado do Povo, Recife, 3(96):4, 10 maio 1856.

[8] Idem, idem.

[9] Ms. IHGB, Coleção Barão de Loreto. Lata 171 - doc.1. Carta datada de Natiba, 23 de março de 1856.

[10] Franklin DÓRIA. Enlevos. Recife, 1859, p. 422.

[11] Originalmente publicado no Diário da Bahia, 6 out. 1859. Apud. Soares de AZEVEDO, Rodrigues da COSTA e Torres BANDEIRA. Juízos críticos sobre os Enlevos de Franklin Dória. Bahia. Typ de Camillo de Lelllis Masson & C. 1867. p.16.

[12] “O nosso teatro dramático”. Guanabara, n. 3 de 1852,p. 98

[13] Idem, p.103-4.

[14] “Introdução crítica”, Antologia do romance-folhetim (1839 a 1870). Brasília: UNB, 1997, p. 23.